Parte II
l) A consistência da
escolha das partículas primordiais - no caso, o neutrino do elétron
e a partícula de Higgs -, como estabelecido anteriormente,
embora já logicamente sobredeterminada, precisaria ser agora empiricamente
testada. A figura 3 mostra, de modo sucinto, o esquema de construção
de todas as partículas básicas. As linhas cheias, seguindo
a direção da seta, indicam as partículas que podem
servir à construção (ou resultam da desintegração)
de uma determinada partícula. A linha pontilhada indica a força
nova (ainda não presente em suas partículas formadoras) que
precisa intervir para a construção da partícula apontada
pela seta.
FIGURA 3 - ESQUEMA DE CONSTRUÇÃO DAS PARTÍCULAS
ELEMENTARES A PARTIR DO NEUTRINO DO ELÉTRON E DA PARTÍCULA
DE HIGGS

A posição da
partícula tau pode ser igualmente ocupada pelos nucleons
- próton e nêutron. Assim acontece porque na estrutura do
tau o neutrino do tau pode ser substituído, a um nível
energético inferior, por um elétron ou neutrino do elétron,
resultando disto partículas de idêntica estrutura, porém
muito mais estáveis.
m) Seria oportuno agora comparar
o modelo standard (MS) com o modelo proposto na Figura 3 (M3), ambos
apresentados de forma resumida na Tabela 2. Arrolaríamos as seguintes
divergências:

-
MS apenas apresenta as
partículas, enquanto M3 o faz, mostrando também o seu
processo construtivo; como conseqüência, os três
níveis são arbitrários (só empiricamente
justificados) em MS e necessários em M3;
-
Em MS os mediadores das forças
estão segregados (sendo 4 conjuntos, como poderiam aparecer juntos
num quadro de 3 linhas?!); em seu lugar estão 6 quarks. Já
M3 apresenta todos os 6 mediadores das forças em duas colunas, uma
para os bosons simples, outra para os compostos. É importante notar
que os quarks
d e u estão implícitos
nos pions e estes por sua vez no tau (pois
«» 
t + ), de sorte que eles estão implícita e gratuitamente presentes
duas vezes em MS. Há multiplicidade implícitas em M3, porém
elas ocorrem coerentemente apenas por força do esquema construtivo.
-
Todos os atuais quarks - u,
d,
s,
c,
b
e t -, poderiam ser substituídos por estruturas formadas
apenas pelos 12 fermions e bosons básicos presentes em M3, mostrando
que este último é mais abrangente do que MS [14].
Isto justifica porque MS funciona, embora equivocado em alguns dos seus
aspectos.
-
Em M3 tem-se uma completa simetria
entre bosons e fermions, o que já não acontece em MS;
n) A presente revisão
do quadro das forças, permite as seguintes inferências, umas
necessárias, outras altamente prováveis:
-
O neutrino do elétron
tem massa zero, e os demais neutrinos massa diferente de zero. O deficit
dos neutrinos do elétron solares precisam ter outra explicação
que a sua "transformação em vôo" noutros tipos de neutrinos
e também não podem ser os responsáveis pela presumida
"massa faltante";
-
O gráviton possui apenas
cliname e seu spin é zero, o que implica na necessidade de reformulação
das equações da relatividade geral;
-
Só pelas características
dos mediadores das forças eletromagnética (a, s) e fraca
(m, s), ambas compostas, se poderia prever que a proposta de unificação
pela "absorção" formal da segunda pela primeira forçaria
a emergência conceitual necessária da força de Higgs
(m). Fica também óbvio que a unificação
do que é já composto constitui uma má estratégia
(fraca + eletromagnética = eletrofraca + Higgs), ainda mais quando
se pretende agora prossegui-la incorporando uma força simples (a
força forte gluônica já implícita na síntese
eletrofraca). As potencialidades formais da teoria das supercordas só
valem ser avaliadas, portanto, depois de revista toda a atual estratégia
de "unificação" das forças;
-
A unificação da
relatividade geral com a mecânica quântica é uma impossibilidade,
não apenas porque a primeira é não linear e a segunda
linear, mas pela razão mais profundas da primeira ser subdeterminada
(ou estatística) e a segunda sobredeterminada ou logicamente paraconsistente
[15];
-
Muito provavelmente o modelo
dos quarks será substituído por um modelo baseado na composição
de "pseudos-quarks" a partir de neutrinos mediados pela força
forte[16]. Não será mais necessário,
então, o recurso a absurdas cargas fracionárias e a "spins
medidos decimais";
-
Existe um cliname próprio
a° - tal como há a massa e o momento angular próprios
-, que se exerce a uma distância d° inferior a 10 -20m;
nesta e aquém dela, F = G.a°2
= constante. Atente-se: de um lado, spin zero (não
por compensação interna) faria do mundo um caos, dado
que ser outro poderia se dar num quantum tão pequeno
quanto se quisesse, de sorte que tudo estaria infinitamente próximo
de já não ser o que é; por outro lado, permitir
clinames
ilimitados tornaria simplesmente inconcebível a noção
de universo (daí, a idéia de universos-bebês
e outras extravagâncias);
-
Muito provavelmente o próton,
por seu processo constitutivo (um tau de baixa energia) tem vida média
infinita.
-
Espera-se que, em termos energéticos,
a partícula de Higgs seja a mais próxima detecção;
o processo construtivista das partículas indica que, pelo contrário,
a mais próxima detecção deva ser a do gráviton
ou do gluon, e a última, sim, a da partícula de Higgs.
-
O conceito vácuo excitado
é simplesmente auto-contraditório; isto invalida os atuais
modelos cosmológicos inflacionários e outros que se valem
deste conceito
Além disso, mesmo que
uma ou outra destas inferências não venham a se confirmar,
restaria ainda aqui um grande saldo capaz de proporcionar, desde já,
uma virada no ensino da Física, cuja importância não
pode ser minimizada. Tal revolução pedagógica permitiria
integrar a Física à cultura comum do cidadão. Isto
tem um enorme alcance na medida em que a Física se constitui, a
nosso juízo, no recôndito saber desejante da modernidade [17].
Notas
[1] A palavra desiderato quer aqui
significar que a Física possui uma determinação cultural
própria à essência mesma da modernidade, na medida
em que esta, em seu próprio acontecer recalca a cultura cristã
lógico-trinitária, e, ao mesmo tempo, faz da lógica
desta última o seu objeto perdido ou de desejo. Há aqui um
paralelo com a cultura grega, cultura diferencial, por isso prometeica
e trágica, que através da filosofia buscou o ser-uno que
ela própria recalcara. Ver SAMPAIO, L. S. C. de, Reflexões,
logicamente otimistas, acerca do advento da cultura nova pós-científica.
Rio,
FINEP/etc...,1998 (no prelo)
[2] Esta foi sempre a essência da
crítica de Einstein a Newton. Em termos da velha terminologia teológica
católica, uma acusação de heresia triteista.
[3] Existem partículas dotadas
de spin zero, porém, sem exceção, elas devem ser consideradas
como "compostas" porque necessariamente se desintegram em pares de partículas
com spins anti-paralelos que se compensam. Este é o caso, entre
outras, de pi°, K°.
[4] Na verdade a relatividade geral em
sua interpretação corrente não cria um comprometimento
espaço/matéria, mas conceitualmente os identifica:
a curvatura passa a ser idêntica à densidade de matéria
em um mesmo ponto do espaço .
[5] Por que ML-1
e não ML? Porque grandezas cujas fórmulas dimensionais diferem
em LT-1, que seria
o caso de MT e ML, são equivalentes. A constante em questão
seria o cliname de Planck aP = c2/2g.
[6] Isto se deve à própria
constituição onto-lógica do mundo, cuja "varibilidade"
é limitada. Opera aqui a mesma razão que faz com que as leis
da física possam ser todas expressas como equações
diferenciais de segunda ordem.
[7] Pode-se obter a mesma ordenação
no campo do eletromagnetismo apenas usando o sistema u. e. m, onde a carga
elétrica passa a ter dimensionalidade .
Levar isto em conta, pode ser de um enorme efeito na pedagogia da teoria
eletromagnétca.
[8] Muitos físicos buscam avidamente
a massa do neutrino do elétron, em especial, depois das teorias
inflacionárias que requerem que a densidade do universo coincida
com a densidade crítica. O fato é que o limiar de
massa do neutrino do elétron cada vez mais se reduz, o que, é
óbvio, não é e nunca será suficiente para uma
comprovação empírica de que sua massa seja zero. Só
logicamente
se poderá resolver este tipo de questão.
[9] Dizemos força gluônica
inter-quarks porque, a nosso juízo, o modelo dos quarks deverá
ser substituído por um modelo mais fundamental, em que os quarks
serão formações complexas, inclusive sem cargas fracionárias
e spins medidos "decimais".
[10] A idéia corrente que
a intensidade da força gravitacional convergiria para o valor da
intensidade das outras forças está correta, mas isto não
é algo perdido na aurora dos tempos (quando a temperatura do Universo
era gigantescamente mais elevada), mas hoje logicamente efetiva
em distâncias inferiores a 10-20
m.
[11] Existiria uma razão para
não considerá-lo como mediador de uma força, porém
estranhamente ela jamais é indicada. Trata-se do fato de que a partícula
de Higgs possuir spin zero. Por não ser compósita, tal característica
não lhe pode ser fruto de spins "internos" antiparalelos -- , o
que faz dele uma exceção. Na seqüência do texto
apresentaremos uma justificativa para este fato excepcional.
[12] Quanto ao valor do aspecto estético
em Física, ver CHANDRASEKAHR, S. Truth and Beauty – Aesthetics
and Motivations in Science. Chicago, Un. of Chicago Pr., 1987,
1990.
[13] A partícula de Higgs caracterizada
apenas pela grandeza massa constitui uma anomalia na medida em que ela
não possui também carga. Fosse ela composta (desintegrável)
poderia ser neutra por "equilibração interna", como é
o caso, por exemplo, de Z° (desintegrando-se num par de
elétrons de cargas opostas) e do pion zero (desintegrando-se, ao
cabo, em dois pares de elétrons com cargas opostas). Sendo primordial,
não se desintegra e, portanto, constitui-se numa exceção.
É importante notar que a simetria global é preservada na
medida em que esta anomalia bosônica compensa precisamente a já
notada anomalia fermiônica do neutrino do elétron não
possuir massa.
[14] Ver SAMPAIO, L. S. C. de O Mundo
Concreto. Tempo-espaço e Materialidade. Partículas e Forças.
Rio
de Janeiro, Ed. Inst. Cultura-Nova, 1988 (xerografado).
[15] Já na física newtoniana
o choque elástico de pontos materiais era incompatível com
a lei da gravitacão, pois as partículas em se chocando, se
colariam para toda a eternidade. A relatividade restrita também
é inconsistente com a lei da gravitação, pois com
ela seria possível gerar buracos negros por efeito da simples velocidade
(ainda menores do que c) de referenciais, podendo-se com isto provocar
irreversíveis catástrofes. O próprio Einstein, em
On
a stationary system with spherical symmetry consisting of many gravitating
masses in Annals of Mathematics. Vol. 40, No. 4, October, 1939, chegou
a acreditar que sua relatividade geral estaria livre deste tipo de inconsistência
porque nela seria impossível o colapso gravitacional para além
do raio de Schwarzschild. Textualmente: The essential result of this
investigation is a clear understanding as to why the "Schwarzschild singularities"do
not exist in physical reality. Although the Theory given here treats only
clusters whose particles move along circular paths it does not seem to
be subject to reasonable doubt that more general cases will have analogous
resalts. The "Schwarzschild singularities" does not appear for the reason
that matter cannot be concetrated arbitrarily. And this is due to the fact
that otherwise the constituting particles would reach the velocity of light.
O fracasso da "demonstração" deixa evidente
que a relatividade geral é paraconsistente por herança das
mecânicas anteriores. Sabe-se, por outro lado, segundo testemunho
de Freeman Dyson (in The Scientist as rebel, New York Review of
Books, 25, 1995, p. 32) , que Einstein chegou a manifestar a opinião
que a singularidade (ou a existência de buracos negros como entes
e não como apenas limites) era um defeito a ser removido de
sua teoria por uma melhor formulação matemática.A
questão da inconsistência da relatividade geral, pode-se pois
afirmar com certeza, não é assunto que o próprio Einstein
desconhecesse.
[16] O neutrino do elétron reage
às três forças simples. O neutrino do muon apenas às
forças gravitacional e forte, isto porque ele é uma espécie
de elétron neutro, saturado pela força de Higgs. O neutrino
do tau reage somente à força forte porque ele é uma
espécie de muon neutro com suas ligações de Higgs
e gravitacional saturadas. Vê-se, por aí, que não pode
haver qualquer outro tipo de neutrino, como igualmente a quarta família
de leptons e quarks, isto que já está hoje empiricamente
comprovado com a determinação experimental da curva de ressonância
de Z°.
[17] Para maiores detalhes ver SAMPAIO,
L. S. C. de, Reflexões, logicamente otimistas, acerca do advento
da cultura nova pós-científica, Rio de Janeiro, FINEP/etc...,1998
(no prelo).
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