Such proposals have two common factors
(...): they aim to show Einstein was wrong in some way and they are totally
committed to the deduction of the numerical values of constants of Nature
from some sequence of mysterous combinatorical juggling that occasionally
incorporates considerations as abstruse as the dimensions of Great Pyramid
or the interpretation of the Jewish cabbala.
John D. Barrow [1]
1 - Preliminares
Desde Galileu, portanto muito
antes do advento da mecânica quântica, o operacionalismo doutrinário
já exercia o seu domínio fazendo, entre outras coisas, com
que a medida deixasse de ser algo metafísico (melhor diríamos,
extra-físico) e viesse a se integrar à essência da
cientificidade moderna. Aliás, a nosso ver, seria isto, bem mais
do que o empirismo e o discurso axiomatizado já praticados e estimados
pelos gregos, o que melhor caracterizaria o ser moderno no âmbito
daquela cientificidade.
A mecânica quântica
veio, sim, "operacionalizar o operacionalismo" através da introdução
de axiomas que formalizavam de maneira explícita a mensuração
e suas conseqüências perturbadoras. A integração
teórica da medida tem como corolário imediato a impossibilidade
da existência de leis exatas neste domínio: todas as
leis científicas seriam doravante inexorável e intrinsecamente
aproximativas e/ou probabilísticas; logo, indigna dos deuses!
Os enormes êxitos
da mecânica quântica, tanto de predição (a maior
aproximação até hoje obtida entre o calculado e o
medido), como integrativos (em toda a história da física
foi a teoria que, de um só golpe, veio explicar o maior número
de fenômenos e ainda sugerir a existência muitos outros), concomitantes
à vitória da interpretação de Copenhague
contra aqueles que insistiam em contestar a completude da teoria quântica
- que tinham entre seus epígonos até o próprio Einstein
-, só fizeram ainda mais reforçar o império operacionalista
(o paralelo, com alguma antecipação, ao desfecho da Segunda
Guerra Mundial seguido do desmoronamento do socialismo real e a conseqüente
entrada em cena do pensamento único não é de
modo nenhum fortuito).
Tudo isto pode parecer hoje
uma verdade assentada e definitiva, e o operacionalismo (do mesmo modo
que o neo-colonialismo-social-democrata) uma exigência incontornável
a tudo que pretenda o estatuto da respeitabilidade científica. Seria
de justiça lembrar algumas exceções notáveis
como Newton, Dirac e mais particularmente Einstein [2]
que, embora não conseguisse apresentar argumentos inteiramente sólidos
para sustentar sua birra contra o empirismo operacionalista, jamais abandonou
sua profunda intuição de que seu métier tangenciava
o sagrado, buscava desvelar as equações que governavam a
obra de um Deus sério e exato que não se permitia, por isso
mesmo, ares de descontração atirando dados a esmo.
Tudo se tinha assim por
decidido, não fora a própria essência da Física
que, como já demonstramos em trabalhos anteriores, só é
moderna no semblante e pela escrita, mas antiga e nostálgica em
sua objetividade recôndita. Assim como a filosofia representava
para os gregos a busca do ser um, que fora lógica e definitivamente
perdido pelo próprio advento daquela cultura, a física
é o saber desejante, logo já impossível, do ser uno/trino,
próprio à cultura cristão patrística, recalcado
pelo advento mesmo da modernidade com sua lógica (do terceiro excluído
ou da dupla diferença), seus protocolos, seus indefectíveis
instrumentos e procedimentos de medida. Ver Princípio antrópico
[3] e também Apontamentos para uma história
da física moderna [4].
Nestas circunstâncias,
o aludido operacionalismo, e com ele o "aproximacionismo" e/ou indeterminismo
em estado puro, seria apenas a cena de uma outra cena, uma máscara,
uma espetacularidade propositadamente auto-enganadora. Precisamente por
isso é que, malgrado a doutrina operacionalista dominantente, podemos,
carecemos e continuamos a discutir - ainda que nas margens, dobras e desvãos
do mundo, a revelia do terror acadêmico -, o estatuto lógico
das leis físicas (como igualmente das leis "inexoráveis"
do capitalismo financeiro globalizante).
Discutir este estatuto é
não só discutir sua forma funcional formalizada (proporcional
a ..., inversamente proporcional ao quadrado de ..., decaindo exponencialmente
com ..., etc.), como também a essência dos parâmetros
numéricos que ali comparecem (as constantes físicas).
Dentre os últimos, um pequeno grupo se destaca e recebe o estatuto
de universalidade - as constantes físicas fundamentais. Segundo
Planck, pai de uma das mais importantes constantes universais - a constante
h de Planck -, estas se constituiriam em pedras angulares da física
teórica [5]. Para John Borrow, autor de
Theory
of everythings, as constantes universais teriam um papel crucial no
progresso do nosso entendimento do mundo físico:
Each really major advance
in physical science goes hand in hand with a revision or extension of our
understanding of some constant of Nature.[6]
O nosso principal propósito
no presente trabalho será o de justificar o critério de seleção
das constantes universais ou fundamentais, proceder ao seu inventário
e esclarecer acerca de sua essência, melhor diríamos, do seu
estatuto lógico.

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