CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A HISTÓRIA DA CULTURA
Pré-requisito para a Compreensão e Avaliação da História, Conjuntura e Perspectivas Brasileiras [1]
Luiz Sergio Coelho de Sampaio
Brasíla, 16 de junho de 1999.
ee-001003.00[1](30/07/1999)



Notas

[1] Notas que serviram de base para a exposição oral, em 16 de junho de 1999, não lidas, nem necessariamente referidas em seus pormenores, mas que contêm todos as figuras projetadas e distribuídas a cada um dos presentes no ato da palestra, o que garante, no espírito (lógico-qüinqüitário), a fidelidade de uma à outra, em ambos os sentidos. 

[2] Estas notas de palestra já estavam obviamente alinhavadas, quando no almoço que precedeu à nossa apresentação, o emérito professor Dr. Roberto Cardoso de Oliveira, que seria o coordenador das apresentações da tarde, nos perguntou de que "lugar" nós iríamos falar. Tentamos por duas vezes responder que partíamos da problemática levantada por Lévy-Bruhl referente à questão do pensamento pré-lógico dos primitivos, tema sobre o qual ele mesmo havia escrito um livro que eu tinha ali em minha pasta. Considerávamos que, independentemente da resposta dada pelo pensador francês, a pergunta por si constituía-se numa revolução: não se indagava mais se os primitivos tinham alma; agora, a nosso juízo bem melhor, perguntava-se se eles tinham lógica (clássica). O professor Dr. Roberto Cardoso de Oliveira, posteriormente, presidindo a Mesa nos apresentou à platéia como especialista em informática, o que em si não traduzia nenhum menosprezo, mas levou-nos à convicção que não respondêramos satisfatoriamente à sua pergunta do almoço. Por  isso, durante a nossa exposição fizemos reiteradas alusões ao episódio, enfatizando que este primeiro item valeria por si, mas especialmente como uma terceira tentativa de resposta àquela sua mui justa e sábia indagação. Para qualquer dúvida sobre esta nota, consultar registro televisivo da sessão, nos arquivos da UnB que, por sua vez, só pode ser bem compreendido com a ajuda desta nota.

[3] As expressões I, D, I/D etc. são apenas uma taquigrafia, uma simbologia mnemônica para designar as diversas lógicas da tradição. Existiriam duas lógicas fundamentais: I (lógica transcendental ou da identidade) e D (lógica da diferença). As demais lógicas seriam delas derivadas através da operação de síntese dialética generalizada simbolizada por "/ ". Teríamos, então, I/D (lógica dialética), D/D=D/² (lógica clássica), I/D/D=I/D/² (lógica hiperdialética ou qüinqüitária) etc. Na esfera mundana, a ultima é por nós considerada a lógica própria e exclusiva do ser humano. Para maiores detalhes, ver SAMPAIO, Luiz Sergio C. de,  Noções de antropo-logia. Rio de Janeiro, UAB, 1996 (xerografado) ou BARBOSA, M. C. As Lógicas. Rio de Janeiro, Makron Books, 1998.
É bom alertar que o presente texto foi construído para ser lido independente destas referências taquigráficas. Elas aqui estão porque acreditamos que alguém, desde que não as tema, possa tê-las como um conveniente e simples apoio de leitura.

[4] LUKACS, Georg. Histoire et Conscience de Classe, Paris, de Minuit, 1960 

[5] HEGEL, G. W. F. Fenomenología del Espírito, México, FCE, 1971.

[6] DUBY, Georges, Histoire des Mentalités, Paris, Gallimard, 1972

[7] LÉVI-STRAUSS, C. História: método sem objetivo específico in NIZZA da SILVA, M. B. (org.), Teoria da História, S. Paulo, Cultrix, 1976

[8] FOUCAULT, M. A Arqueologia do Saber, Petrópolis, Vozes, 1972.

[9] AXELOS, Kostas, Contribuition à la Logique. Paris, de Minuit, 1977 e também FINK, Eugen, Le Jeu comme symbole du monde, Paris, de Minuit, 1966.

[10] SPENGLER,  O. A Decadência do Ocidente, Brasília, UnB, 1982

[11] TOYNBEE, A. Estudio de la  Historia, Compendio I/IV, Madrid, Alianza, 1981 

[12] O psicanalista francês  André Green, recentemente instado a justificar o seu pessimismo em relação ao mundo atual, declarou que, a seu ver,  "a proposta de nossos políticos para as gerações modernas é 'suicidem-se'." Provocações do pensar, entrevista de André Green em Jornal do Brasil, Idéias, 19 de out. de 1996.

[13] BARBOSA, M. C. As lógicas - As Lógicas Ressuscitadas Segundo Luiz Sergio Coelho de Sampaio, S. Paulo, 1998, Makron Books, 1998.

[14] As lógicas de base são as lógicas propriamente subsumidas pela hiperdialética qúinqúitária: I, D, I/D e D/D. Este conjunto, que forma a base da pirâmide representativa de I/D/D, é de grande importância, porque suas diagonais, segundo Lacan, permitem a re-definição ou sobre-impressão da sexualidade no ser- humano. 

[15] SAMPAIO, L. S. C. de .15. Dialética trinitária versus hiperdialética qüinqüitária, 1995, in Sete ensaios a partir da lógica ressuscitada, Rio de Janeiro, Ed. UERJ (no prelo) 

[16] A representação arquetípica da lógica qüinqüitária aparece em quase todas as culturas como uma figura de 5 elementos, sendo a mais comum e sugestiva, a pirâmide de base quadrada. Ver BARBOSA, As Lógicas, op. cit.

[17] SAMPAIO, L. S. C. de, Desejo, Fingimento e Subversão na História da Cultura. Rio de Janeiro, 1998

[18] É o conjunto das lógicas da identidade (I), da diferença (D), dialética (I/D), clássica ou da dupla diferença (D/D) e qüinqüitária (I/D/D) que permitem pensar todos os entes mundanos, inclusive o homem, embora não permitam dar conta de modo compreensivo, entre outra coisas, do saber inter-subjetivo (por isso, é impossível o calculo do outro!) 

[19] GOLDMAN, Marcio. Razão e Diferença, Rio de Janeiro, UFRJ/Gripho, 1994 

[20] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções de antropo-logia. Rio de Janeiro, UAB, 1996. Alternativamente, pelo mesmo autor, o vídeo Antropologia cultural, I, II, III e IV, Rio de Janeiro, EMBRATEL/ UAB, 1993. 

[21] A linguagem natural é  (1) sua própria metalinguagem (I); (2) só é na medida em que remete a outro (D); (3) é um ser histórico por isso tão facilmente persegue o devir (I/D); (4) tem poderes formais ou demonstrativos (D/²); (5)  é complacente ao Absoluto, tendo-se em conta seu ilimitado poder metafórico (I/D/²). Ademais, pela velha caracterização aristotélica que considera o homem um animal racional, tomando-se, um pouco abusivamente, animal como dotado de consciência (I) e razão como capacidade lógico formal (D/²), as duas caracterizações não seriam assim tão díspares. Se tomarmos o termo razão (logos) em sua pressuposta largueza heraclítica, então a diferença talvez não seja mais nenhuma. 

[22] SAMPAIO, Noções de antropo-logia, op. cit. Dado o processo de relacionamento entre culturas (um processo hiperdialético, muito mais complexo do que a monotonicamente ascensional  dialética hegeliano-marxista), são inúmeros os casos de culturas logicamente híbridas.

[23] Isto é valido inclusive para a Modernidade. A religião na Modernidade, como em todas as culturas, é produto da sacralização de sua lógica própria, no caso a lógica clássica ou do terceiro excluído. Por isso ela é politeísta, em um modo próprio - como combinatória em um conjunto  já dado de deuses e religiões. A religião estrutura-se hoje como um supermercado de deuses, crenças e ritos. 

[24] Poder-se-ia usar a expressão pré-lógica, num sentido bem preciso de que são culturas que operam  logicamente, porém, não se dão conta que o fazem, isto é, não conseguiram conferir-lhe uma expressão simbólica e coletiva estável. Por isso representam e sacralizam  sua relação com a Natureza, cabendo-lhes pois a designação de culturas ecológicas. Ademais, se usássemos a expressão pré-lógica desencadearíamos uma terrível tempestade por parte de estruturalistas/relativistas que tão logo nos acusariam de repetir um sério pecado cometido por Lévi-Bruhl. Aliás, uma polêmica cheia de veneno e má fé, tendo-se em conta que Lévi-Bruhl usou a expressão pré-lógico não no sentido de destituído de lógica, mas como dotado de uma outra lógica, aquela identificada por Ribot (de influência freudiana) como, precisamente,  logique du sentiment

[25] Consideradas todas as culturas nodais anteriores (ecológicas e propriamente lógicas, ao todo 5 - pré-I, pré-D, I, D e I/D), o cristianismo patrístico aparece como histórica, mas não logicamente qüinqüitário, isto é, como pseudo-qüinqüitário. Isto tem implicações de uma incalculável amplitude que não podemos (ou talvez nem soubéssemos) aqui explorar, como mereceriam. Observaríamos, contudo, que isto é o suficiente para demonstrar em definitivo que a História não é um processo dialético trinitário hegeliano (apenas), mas um superior processo hiperdialético qüinqüitário...

[26] SAMPAIO, L. S. C. de, Desejo... op. cit

[27] Símbolos geométricos que tomam como formas básicas quadrados ou cruzes (D/²) e círculos (I ou I/D) que articulados vão representar a síntese da identidade e da diferença ou, além, a síntese da identidade com a dupla diferença, ou seja, a hiperdialética qüinqüitária (I/D/²).  Não é surpresa, pois, que os psicanalistas de orientação junguiana tenham observado a freqüente ocorrência de mandalas nos desenhos de pacientes em início de processo de recuperação.

[28]  Não é aqui o lugar para aprofundar este assunto, mas na verdade é este  o modo pelo qual se pode abrir um caminho realmente profícuo para articulação das idéias de Marx e Freud, cuja necessidade foi há muito pressentida, entre outros, por Reich (!) e pela Escola de Frankfurt.

[29] Este tipo de consideração é fundamental para a compreensão, em profundidade, das relações EUA/Brasil. O primeiro crê representar hoje a quinta-essência (finge, pois na verdade não passa de ser a quarta-essência) da cultura, enquanto que o segundo é um marginal, porém, um dos mais prováveis candidatos à realização da cultura nova qüinqüitária. Sob este prisma sabem eles que somos seu mais temível inimigo. Isto não quer dizer que o EUA já seja o último dos modernos e que o Brasil não vá faltar à sua destinação (outro, como a Índia, pode certamente assumi-la encorajado pelos nossos freqüentes "amarelamentos"), mas aquela possibilidade está já inscrita nos "inconscientes coletivizados" de todos nós, lá e cá. Por isso, constitui-se no constante pano de fundo de suas amistosas/rancorosas e por isso sempre tensas relações políticas. Exclui-se aqui, por excepcional (de exceção) o atual momento destas relações.

[30] ELIADE, Mircea. História das Crenças e das Idéias Religiosas, Rio de Janeiro, Zahar, 1978. Tomo I, vol. 1, p. 58.

[31] Hölderlin, F.Oevres Complètes, p. 228. 

[32] Heidegger se comporta com Platão assim como muitos de nós brasileiros costumamos fazer: se alguém previu algo que acabou acontecendo, é ele sem dúvida o grande culpado, pois, para que o tivesse feito precisava antes tê-lo ouvido dos deuses (pois o futuro só a eles pertence) , e sendo-lhes assim tão íntimo, porque não lhes convenceu de pelo menos trocar o pior por algo um pouquinho melhor?!  Só por vingança, por não termos lhe dado atenção? Um mal caráter! concluem, sem a menor cerimônia. Quem já não viu, ou pior, foi vítima deste tipo de "ilação"?

[33] SOCRATES: - ... Finalmente, para que a poesia não nos acuse de dureza e rusticidade, é bom aduzir que não é de agora, porém, sim, muito antiga, sua oposição à filosofia. Platão, A República, X Platão, A República, l. X. S. Paulo, Atena, 1955.

[34] A pretensão à  universalidade da poesia  (trágica, inclusive) é crença corrente entre os gregos, como podemos ver em Aristóteles: Por tal motivo a poesia é a mais filosófica e de caráter mais elevado que a história, porque a poesia permanece no universal e a história estuda apenas o particular. ARISTÓTELES, Arte Retórica e Arte Poética. S. Paulo, Difusão Européia do Livro, 1959. (negritos nossos)

[35] Reflexões, 1966.opus citado, p. 59.

[36] FINK, Eugen, Le Jeu comme Symbole du Monde. Paris, Minuit, 1966 p. 90.

[37] ibid. p. 92

[38] ibid. p. 101

[39] BATAILLE, George. Théorie de la Religion. Paris, Gallimard,    1973

[40] ELIADE, op. cit. p. 43 

[41] A lógica clássica ou da dupla diferença, em sua máxima generalidade, é síntese da lógica da diferença D e da dialética I/D, por isso as subsume. Em símbolos: (D)/(I/D) = D/². Assim, o ser como totalidade visado pela lógica dialética é, em parte, herdado pela lógica clássica, que se constitui destarte em analítica das universalidades ou totalidades por convenção. SAMPAIO, L. S. C. de, Dialética trinitária versus hiperdialética qüinqüitária, Rio, ICN, 1995.

[42] Ver Reflexões, moderadamente otimistas acerca do advento de uma cultura nova qüinqúitária. Rio de Janeiro, FINEP/etc... (no prelo) 

[43] É preciso ter perdido a sensibilidade para não se maravilhar com tamanha ousadia. Os sistemas de medidas da Física têm necessidade de definir apenas três grandezas fundamentais: comprimento (L), massa (M) e tempo (T). Por exemplo, sistema cgs (centímetro, grama e segundo) ou mks (metro, quilograma e segundo). Todas as demais grandezas físicas estão a partir daí especificadas sem qualquer ambigüidade.

[44] SAMPAIO, L. S. C. de. Apontamentos para uma história da física moderna. Rio de Janeiro, UAB, 1993/97.

[45] O ser humano é de nível  lógico  I/D/² , lógica que subsume,  além de si própria, as que lhe antecedem: I, D, I/D, D/², estas quatro por nós denominadas lógicas de base. Isto leva a que no ser humano a  "sexuação"  biológica  venha  a  ser  re-definida,  deixe  de  ser bipolar (representável por um segmento de reta), como nos outros animais, para tornar-se  tetrapolar  (representável por um quadrado).  O par diagonal   {I, D/²}  designa  o  masculino  e  o  par  diagonal   {I/D, D} o feminino; e como  (I)/(D/² ) = I/D/² ,  tanto quanto (I/D)/(D) = I/D/², conclui-se, imediatamente, que masculino e feminino são modos onto-lógicos de realização do ser humano (I/D/²).
 Na modernidade capitalista, a história (I/D) se vê degradada em progresso ou acumulação de capital e o  inconsciente (D) desnaturado, feito desejo domesticado pelo marketing.

[46] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções de antropo-logia. opus citado, assim como, pelo mesmo autor, o vídeo Antropologia cultural, O I,II,II e IV, igualmente mencionado. 

[47] A Questão Cultural - Palestra proferida no Workshop sobre  A Questão Cultural, sob os auspícios da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Brasília, out. 1996. (xerografado)

[48] Referência a John Ford, o grande realizador cinematográfico irlandês, a maior parte de sua carreira atuando em Hollywood. 

[49] Quem vai a Westminster e vê o túmulo de Newton no centro mesmo da catedral, constata que isto foi tentado, mas felizmente para eles, ingleses, não pegou.

[50] Ao contrário do que se diz por aí, a Igreja Católica sempre namorou a ciência. Vide a última Carta Encíclica - "FIDES ET RATIO". A separação drástica luterana entre fé e razão, por suposto, não criou a ciência, mas sim o que era necessário para criar uma sociedade ou cultura científica: nada mais nada menos do que o sujeito liberal liberado para ser sujeitado à ciência ou, simplesmente, para se constituir em sujeito da ciência.

[51] Não somos nós a dizer isto; foram já muitos e entre eles o Padre Antônio Vieira, que pela ousadia quase foi executado pela Inquisição.

[52] Não há nada mais ridículo do que dividir o social em político, econômico e social mesmo. Aqui deveria entrar o cultural e é precisamente para ocultá-lo que se comete o absurdo de considerar o social parte própria de si mesmo. Os denominados problemas sociais nada mais são do que a banda podre do modelo econômico vigente. 

[53] REDONDI, Pietro, Galileu Herético, S. Paulo, Companhia das Letras, 1991.

[54] Pessoal e social são sempre anti-simétricos. Na perversão pessoal, tipo de psicose, é o sujeito (I) que se sobrepõe à lei (D/D); na perversão social, acontece precisamente o contrário. 

[55] Segundo um programa de TV focalizando cada um dos países europeus, existe um empenho deliberado (por quem?) em desenvolver a gastronomia alemã com a finalidade de atenuar sua pressuposta inclinação belicista (ou anti-consumista, perguntaríamos nós).

[56] Essa Europa, numa cegueira incurável sempre a ponto de apunhalar-se a si mesma, se encontra hoje entre dois grandes tenazes, com a Rússia de um lado e a América de outro. Rússia e América, consideradas metafisicamente, são ambas a mesma coisa: a mesma fúria sem consolo da técnica desenfreada e da organização sem fundamento do homem normal. Quando o mais afastado rincão do globo tiver sido conquistado técnicamente e explorado economicamente; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com qualquer rapidez; quando um atentado a um Rei na França e um concerto sinfônico em Tókio poder ser "vivido" simultaneamente; quando tempo significar apenas rapidez,  instantaneidade e simultaneidade e o tempo, como História, houver desaparecido da existência de todos os povos; quando o pugilista valer, como o grande homem de um povo; quando as cifras em milhões dos comícios de massa forem um triunfo, - então, justamente então continua ainda a atravessar toda essa assombração, como um fantasma, a pergunta: para quê? para onde? e o que agora?
Estamos entre tenazes. A Alemanha, estando no meio, suporta a maior pressão das tenazes. É o povo que tem mais vizinhos e, desse modo, o mais ameaçado, mas, em tudo isso é o povo metafísico.
Isso implica e exige, que esse povo ex-ponha Historicamente a si mesmo e a História do Ocidente, a partir do cerne de seu acontecimento futuro, ao domínio originário das potências do Ser.

HEIDEGGER, M.
Introdução à metafísica. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1966. pp. 79-80.

[57] Povão é empregado aqui como uma verdadeira categoria sociológica, tipicamente brasileira, que de certo modo pode incluir todos, desde que em estado de congraçamento. O Maracanã, por exemplo é freqüentado pelo povão, não importa que tenha extremos, uma geral e uma tribuna de honra. A "elite", assim mesmo entre aspas, é seu justo contrário, incluindo até um miserável que se pôs sob um viaduto (D) recém inaugurado e com um giz delimitou internamente retângulos (D) para alugá-los a outros ainda mais miseráveis, tornando-se assim um autêntico empresário schumpeteriano (I) (caso verídico ocorrido no Rio).



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