Notas
[1] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções
de antropo-logia. Rio de Janeiro, UAB, 1996. Alternativamente, pelo
mesmo autor, o vídeo Antropologia cultural, I, II, III e IV,
Rio de Janeiro, EMBRATEL/ UAB, 1993.
[2] As expressões I, D, I/D
etc. são apenas uma taquigrafia, uma simbologia mnemônica
para designar as diversas lógicas da tradição.
Existiriam duas lógicas fundamentais: I (lógica transcendental
ou da identidade) e D (lógica da diferença). As
demais lógicas seriam delas derivadas através da operação
de síntese dialética generalizada simbolizada por
" / ". Teríamos, então, I/D (lógica dialética),
D/D=D/² (lógica clássica),
I/D/D=I/D/² (lógica hiperdialética
ou qüinqüitária) etc. Na esfera mundana, a ultima
é por nós considerada a lógica própria e exclusiva
do ser humano. Para maiores detalhes, ver SAMPAIO, Luiz Sergio C. de,
Noções de antropo-logia. Rio de Janeiro, UAB, 1996
(xerografado) ou BARBOSA, M. C. As Lógicas. Rio de Janeiro,
Makron Books, 1998.
É bom alertar que o presente texto foi construído
para ser lido independente destas referências taquigráficas.
Elas aqui estão porque acreditamos que alguém, desde
que não as tema, possa tê-las como um conveniente e simples
apoio didático.
[3] SAMPAIO, Noções
de Antropo-logia e Vídeos já citados
[4] Poder-se-ia usar a expressão
pré-lógica, num sentido bem preciso de que são culturas
que operam logicamente, porém, não se dão conta
que o fazem, isto é, não conseguiram conferir-lhe uma expressão
simbólica e coletiva estável. Por isso representam e sacralizam
sua relação com a Natureza, cabendo-lhes pois a designação
de culturas ecológicas. Ademais, se usássemos a expressão
pré-lógica desencadearíamos uma terrível
tempestade por parte de estruturalistas/relativistas que tão logo
nos acusariam de repetir um sério pecado cometido por Lévi-Bruhl.
Aliás, uma polêmica cheia de veneno e má fé,
tendo-se em conta que Lévi-Bruhl usou a expressão pré-lógico
não no sentido de destituído de lógica, mas como dotado
de uma outra lógica, aquela identificada por Ribot (de influência
freudiana) como, precisamente, logique du sentiment.
[5] Car la différrence des deux
hommes en presence est que l'un, l'homme trinitaire, acceptait la
mort, faisait de la représentation de la mort dans la vie le fondement
de son ordre symbolique et du lien social, alors que l'autre, l'homme
binaire, veut en fin de compte l'érradication de la mort.
(negritos nossos) DUFOUR, D-R. Les mystères de la trinité.
Paris, Gallimard, 1990.
Leia-se trinitaire como cultura lógico-dialética
trinitária e binaire como cultura lógico formal
ou moderna. O que este autor não chega a perceber é que a
erradicação da morte (biológica) é uma
artimanha da Modernidade, por via de sua técnica, para simular a
presença do homem lógico-qüinqüitário já
em seu seio, de prometer a vida eterna onde impera.
[6] MORSE, R. M. O Espelho de Próspero,
Cultura e Idéias nas Américas. S. Paulo, Companhia das
Letras, 1988.
[7] SAMPAIO, Noções de
Antropo-logia e Vídeos já citados.
[8] É importante atentar
que aqui o termo perversão, do ponto de vista
lógico, está sendo usado no sentido inverso daquele que ele
tem na psiquiatria e na psicanálise. Nestas últimas, perverso
é o sujeito (I) que aceita a lei (D/²)
desde que esta seja a sua própria. Entretanto, nada há de
errado nesta inversão; ela é, pelo contrário, bastante
coerente na medida em que tal inversão é a exata contrapartida
da mudança de ponto de vista, do social (sócio-cultural)
para o individual (psíquico).
[9] BENJAMIN, W. A obra de arte na
era da sua reprodutibilidade técnica in Obras Escolhidas, v.
1. S. Paulo, Brasiliense, 1985. p. 196.
[10] Enquanto concentramos nossa atenção
acadêmica nas novelas, desenrola-se na TV, diariamente, o combate
da Ciência contra a Religião. É eletrizante e interessa
(inconscientemente) a todos, à exclusão dos suicidas, naturalmente.
Em jogo, a vida eterna. Enquanto a Religião, cautelosa, pois
até hoje só pode proclamar um único sucesso,
promete-a para depois de, a Ciência, com sua tática
de ir pouco a pouco amealhando adiamentos, tomada pela soberba,
promete-a assintoticamente ao invés de.
[11] Não é
por acaso que Heidegger, em suas manifestações
públicas no início e no fim de carreira, refere-se
a Abrahan de Sancta Clara, herói da resistência à penetração
islâmica na Alemanha. FARIAS, Victor. Heidegger et le nazisme.
Paris, Verdier, 1987
[12] "And in 1800 in Frankfurt am Main,
with its Jewish population of six hundred families, most of them
living in the squalid Judengass, 43 per cent of the entire jewish
capital was owned by sixty families, who in turn controlled the twelve
largest investiment firms in the city. Indeed, Frankfurt may well be termed
the cradle of Jewish finance in Europe." SACHAR, Howard M. , The
Course of Modern Jewish History. N. York, Delta Book, 1977. O trecho
acima foi tirado do capítulo VI, justamente intitulado Jewish
Economic Life and the Frankfurt Tradition. p.123.
[13] Hegel a Francfort de Bernard
Bourgeois, Paris, J. Vrin, 1970. Trata-se de um estudo acerca dos textos
sobre o cristianismo e o judaísmo elaborados por Hegel em sua estadia
em Frankfurt. Apenas levados por este estudo, fomos aos textos de Hegel
e daí direto a procurar algum estudo sobre o que estavam fazendo
os judeus lá, para provocar tamanha ira ao nosso filósofo.
Ajudados por nosso amigo Nelson Kuperman, encontramos diversas obras, porém
a mais importante delas para o que nos interessava foi a de Sachar, já
citada na nota anterior.
[14] Referência a Georges Sorel.
A propósito, ver Sternhell, Sznajder, e Ashéri,
Naissance de l'idéologie fasciste, Paris, Gallimard, 1989.
[15] Dentro de uns
200 anos - ou menos, se tivermos sorte -,
existirão museus de horrores onde serão exibidas as peças
promocionais que hoje infestam os nossos "meios de comunicação".
Ninguém estará mais interessado nos instrumentos de tortura
corporal da cultura cristã medieval (I/D), mas nos instrumentos
psíquicos de apropriação do imaginário alheio
usados pelos psicovampiros da cultura da Modernidade que havia já
sido superada.
[16] Ficamos simplesmente perplexos quando
se levanta a questão de uma filosofia brasileira e logo acorrem
os defensores da "filosofia perene" dizendo que isto não faz sentido,
pois tal aproximação conspurcaria a nobre filosofia. Como
sustentar tal posição diante do cortejo de filósofos
alemães - Fichte, Schelling, Hegel, Nietzsche, Heidegger e Habermas,
só para ficar com os mais importantes -, cada um deles com seu,
mais ou menos explícito, Discurso à Nação
Alemã debaixo do braço?! Isso lá acontece porque
sabem que, dentre as mais relevantes tarefas da filosofia, hoje que
não somos mais gregos, é a crítica da cultura
em que o próprio filósofo está imerso (Cassirer).
E é precisamente isto que faz "amarelar" os nossos.
[17] Essa Europa. numa cegueira incurável
sempre a ponto de apunhalar-se a si mesma, se encontra hoje entre dois
grandes tenazes, com a Rússia de um lado e a América de outro.
Rússia e América, consideradas metafisicamente, são
ambas a mesma coisa: a mesma fúria sem consolo da técnica
desenfreada e da organização sem fundamento do homem normal.
Quando o mais afastado rincão do globo tiver sido conquistado técnicamente
e explorado economicamente; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar
e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com qualquer rapidez;
quando um atentado a um Rei na França e um concerto sinfônico
em Tókio poder ser "vivido" simultaneamente; quando tempo significar
apenas rapidez, instantaneidade e simultaneidade e o tempo, como
História, houver desaparecido da existência de todos os povos;
quando o pugilista valer, como o grande homem de um povo; quando as cifras
em milhões dos comícios de massa forem um triunfo, - então,
justamente então continua ainda a atravessar toda essa assombração,
como um fantasma, a pergunta: para quê? para onde? e o que agora?
Estamos entre tenazes. A
Alemanha, estando no meio , suporta a maior pressão das tenazes.
É o povo que tem mais vizinhos e, desse modo, o mais ameaçado,
mas, em tudo isso é o povo metafísico.
Isso implica e exige , que
esse povo ex-ponha Historicamente a si mesmo e a História do Ocidente,
a partir do cerne de seu acontecimento futuro, ao domínio originário
das potências do Ser.
HEIDEGGER, M.
Introdução
à metafísica. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1966. pp.
79-80.
[18] FARIAS, Victor. Heidegger
et le nazisme. Paris, Verdier, 1987
[19] Podemos exemplificar: para que um
homem consiga voar, não lhe basta um profundo conhecimento de aerodinâmica
(D/D= D/²); lhe é necessária
também a firme determinação de fazê-lo (I).
O avião, depois de pronto e voando, é de novo simples saber,
saber materializado (D/²).
[20] O ser humano é de nível
lógico I/D/² , lógica
que subsume, além de si própria, as que lhe antecedem: I,
D, I/D, D/², estas quatro por
nós denominadas lógicas de base. Isto leva a que no
ser humano a "sexuação" biológica
venha a ser re-definida, deixe de ser bipolar (representável
por um segmento de reta), como nos outros animais, para tornar-se
tetrapolar (representável por um quadrado). O
par diagonal {I, D/²}designa o
masculino e o par diagonal {I/D, D } o feminino;
e como (I)/(D/² ) = I/D/²
, tanto quanto (I/D)/(D) = =
I/D/², conclui-se, imediatamente,
que masculino e feminino são modos onto-lógicos de realização
do ser humano (I/D/²).
[21] Esta e as próximas citações
provêm todas de HEIDEGGER, M. Lógica - Lecciones
de M. Heidegger (semestre verano 1934) en el legado de Helene Weiss.
Barcelona, Anthropos, 1991. p. 77
[22] ibid. p. 43
[23] ibid. p. 43
[24] ibid. p. 75
[25] ibid. p. 73
[26] Tudo isto deve
se constituir numa inestimável lição
para todos nós brasileiros, que vivenciamos uma posição
excêntrica em relação à cultura paradigmática
anglo-saxônica, embora de um outro tipo que a dos alemães
de então. Isto nos dá certas vantagens, mas também
nos torna vítimas potenciais desta mesma excentricidade. É
uma vantagem, uma enorme vantagem como pressente qualquer estrangeiro de
sensibilidade que aqui aporta, mas que não é, definitivamente,
uma "vantagem econômico-competitiva" como, ao terem notícia,
irão certamente acreditar nossos "sociais-democrtas".
[27] ROUDINESCO, Elisabeth, Jacques
Lacan - Esquisse d'une vie, histoire d'un système de pensée,
Paris, Fayard, 1993. A autora fornece informações suficientes
para que acreditemos numa forte rejeição de Heidegger às
idéias, como até mesmo à pessoa de Lacan.
[28] KORTIAN, Garbis. Metacritique
- The Philosophical Argument of Jürgen Habermas. Cambridge, Cambridge
UP , 1980. p. 25
[29] Ibid. p. 43
[30] SAMPAIO, L. S. C. de, A Lógica
da Diferença, Rio de Janeiro, 1999.
[31] O verdadeiro e óbvio princípio
da identidade é A(A(x)=A(x)), que traduz justamente a propriedade
de reflexibilidade e, em conseqüência, a possibilidade do exercício
da auto-crítica. Na lógica clássica este princípio
é escamoteado e substituído por sua múmia, a identidade
"estática" A(x) = A(x) ou abreviadamente A=A.
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