L'ETRANGER. - Or les plus grands des genres
sont ceux précisément que nous venons de passer en revue:
l'être lui-même, le repos et le mouvement.
. . .
L'ETRANGER. - Devrons-nous donc, aux trois formes
précédentes, ajouter le même comme quatrième
forme?
THEETETE. - Parfaitement.
. . .
L'ETRANGER. - Il faut donc compter la nature
de l'autre comme cinquième parmi les formes que nous avons prélevées.
Platon, Le sophite, 254c,255c,255e.
Para que possamos alcançar
uma justa avaliação da especificidade, complexidade e relevância
da lógica hiper-dialética qüinqüitária
(I/D/2) [1]
nada haveria de mais apropriado do que aprofundarmo-nos na sua comparação
com a dialética trinitária já de longa tradição
histórico-filosófica.
1 - A dialética trinitária
A dialética trinitária,
sabemos bem, remonta aos gregos - a Heráclito e Platão, no
primeiro, como modo de visar a physis, no segundo, como modo
de visar a idéia ou o conceito - e que foi retomada
na modernidade com Hegel e Marx como modo de visar a História.
A fim de tornar tal confronto mais
produtivo, seria interessante que buscássemos equalizar as duas
estruturas lógicas, o que pode ser feito considerando não
apenas um, mas dois ciclos sucessivos do processo lógico-dialético.
Nesta configuração, destacamos um primeiro ciclo no qual
partimos de uma posição identitária (I) - o momento
da tese - suscetível de gerar sua própria negação
que, amadurecida, irá constituir uma segunda posição
(D) - o momento diferencial da antítese. A tensão
entre tese e antítese vai provocar a emergência de uma terceira
posição, ou seja, de um momento da síntese
(I/D), que é, concomitantemente, negação e afirmação,
supressão e conservação das duas posições
anteriores. Um novo ciclo dialético emergiria pela automática
reconversão da síntese (I/D) numa nova tese (I), que, por
seu turno, traz já em seu bojo os germes de sua própria negação
(D), sendo estas, a seguir, subsumidas em uma nova síntese dialética
(I/D), e assim sucessivamente, conforme ilustra a figura a.
É fácil notar que a consideração
conjunta de dois ciclos dialéticos trinitários sucessivos
revela uma estrutura de exatas cinco posições ou momentos
distintos na medida em que a posição extrema de um, (I/D)n,
confunde-se com a posição inicial do outro, (I)n+1.
É justamente esta estrutura formal de cinco posições,
revelada na sucessão dos ciclos dialéticos trinitários,
que permitirá a adequada comparação desta com a hiperdialética
já própria e essencialmente qüinqüitária.
Figura a - Dialética trinitária

Devemos ter em conta que,
segundo os próprios adeptos da dialética, a repetição
do ciclo trinitário não representa de modo algum uma recorrência,
um eterno retorno do mesmo. Muito pelo contrário, a reiteração
enquanto tal do ciclo dialético é de natureza meramente formal,
deixando perfeitamente garantida a abertura e a criatividade do processo
real por ela governado.

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