DIALÉTICA TRINITÁRIA VERSUS HIPERDIALÉTICA QÜINQÜITÁRIA

Luiz Sergio Coelho de Sampaio
Dezembro, 1995.
ee-001005.00[1](27/08/1999)



L'ETRANGER. - Or les plus grands des genres sont ceux précisément que nous venons de passer en revue: l'être lui-même, le repos et le mouvement.
. . .

L'ETRANGER. - Devrons-nous donc, aux trois formes précédentes, ajouter le même comme quatrième forme?

THEETETE. - Parfaitement.
. . .

L'ETRANGER. - Il faut donc compter la nature de l'autre comme cinquième parmi les formes que nous avons prélevées.

Platon, Le sophite, 254c,255c,255e.



  Para que possamos alcançar uma justa avaliação da especificidade, complexidade e relevância da lógica hiper-dialética qüinqüitária (I/D/2) [1] nada haveria de mais apropriado do que aprofundarmo-nos na sua comparação com a dialética trinitária já de longa tradição histórico-filosófica.

1 - A dialética trinitária

A dialética trinitária, sabemos bem, remonta aos gregos - a Heráclito e Platão, no primeiro, como modo de visar a physis, no segundo, como modo de visar a idéia ou o conceito - e que foi retomada na modernidade com Hegel e Marx como modo de visar a História.

A fim de tornar tal confronto mais produtivo, seria interessante que buscássemos equalizar as duas estruturas lógicas, o que pode ser feito considerando não apenas um, mas dois ciclos sucessivos do processo lógico-dialético. Nesta configuração, destacamos um primeiro ciclo no qual partimos de uma posição identitária (I) - o momento da tese - suscetível de gerar sua própria negação que, amadurecida, irá constituir uma segunda posição (D) - o momento diferencial da antítese. A tensão entre tese e antítese vai provocar a emergência de uma terceira posição, ou seja, de um momento da síntese (I/D), que é, concomitantemente, negação e afirmação, supressão e conservação das duas posições anteriores. Um novo ciclo dialético emergiria pela automática reconversão da síntese (I/D) numa nova tese (I), que, por seu turno, traz já em seu bojo os germes de sua própria negação (D), sendo estas, a seguir, subsumidas em uma nova síntese dialética (I/D), e assim sucessivamente, conforme ilustra a figura a.

É fácil notar que a consideração conjunta de dois ciclos dialéticos trinitários sucessivos revela uma estrutura de exatas cinco posições ou momentos distintos na medida em que a posição extrema de um, (I/D)n, confunde-se com a posição inicial do outro, (I)n+1. É justamente esta estrutura formal de cinco posições, revelada na sucessão dos ciclos dialéticos trinitários, que permitirá a adequada comparação desta com a hiperdialética já própria e essencialmente qüinqüitária.


Figura a - Dialética trinitária

Devemos ter em conta que, segundo os próprios adeptos da dialética, a repetição do ciclo trinitário não representa de modo algum uma recorrência, um eterno retorno do mesmo. Muito pelo contrário, a reiteração enquanto tal do ciclo dialético é de natureza meramente formal, deixando perfeitamente garantida a abertura e a criatividade do processo real por ela governado.



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