DIALÉTICA TRINITÁRIA VERSUS HIPERDIALÉTICA QÜINQÜITÁRIA

Luiz Sergio Coelho de Sampaio
Dezembro, 1995.
ee-001005.00[1](27/08/1999)



NOTAS

    [1] Os símbolos I e D representam, respectivamente, a lógica transcendental ou da identidade e a lógica da diferença. A barra inclinada (/) tem o sentido de uma síntese dialética generalizada. Assim, o símbolo I/D representa a lógica síntese das lógicas da identidade e da diferença, comumente denominada lógica dialética; I/D/2, que é uma forma abreviada de I/D/D, representa a lógica síntese das lógicas da identidade, da diferença, da dialética e da dupla diferença. E assim, por diante.

    [2] O princípio do terceiro excluído aqui considerado é a conjunção dos princípios clássicos da não contradição e do terceiro excluído, aliás, preservando o espírito aristotélico. Só assim se exclui deveras o terceiro, seja o paradoxal (verdadeiro e falso), seja o indeterminado (nem verdadeiro nem falso). Para maiores explicações, ver SAMPAIO, L. S. C. de. Noções Elementares de Lógica - Tomo I. Rio de Janeiro, Ed. Inst. Cultura-Nova, 1988. 

    [3] A articulação sintética de D com I/D, deve ser formalmente representada por (D)/(I/D)=D/I/D=D/D=D/2, no pressuposto intuitivo de que uma identidade (I) entre duas diferenças (D) se anula. Em contraste, se tivéssemos a composição sintética (I/D)/(D) o resultado não seria D/2, mas, sim, I/D/D=I/D/2. Em suma, do ponto de vista formal as lógicas constituem um semimonóide (onde a identidade só age, como tal, à direita) gerado pelas lógicas fundamentais I e D. Para maiores detalhes, ver L. S. COELHO DE SAMPAIO, A matematicidade da matemática surpreendida em sua própria casa, nua, na passagem dos semigrupos aos monóides, Rio de Janeiro, 1995 (xerografado). 

    [4] Uma operação X se diz comutativa se para quaisquer elementos A e B se tem sempre AXB = BXA, como é o caso da soma aritmética elementar. A operação / é não comutativa porque I/D # D/I. Isto é bem intuitivo, pois, I operando sobre a diferença força alguma coisa, a sua re-união, enquanto que D operando sobre o idêntico é coisa que vai de si.

    [5] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções elementares de lógica, I e II, Rio de Janeiro, 1988, Inst. Cultura Nova, (xerografado) e Noções de antropo-logia, Rio de Janeiro, UAB, 1997, (xerografado).

    [6] A passagem de I/D a I/D/2 corresponde, em economia política, a passagem do feudalismo (I/D) à modernidade (D/2 em trânsito para I/D/2); em psicanálise, a passagem da fase fálica (I/D) à resolução da problemática edipiana (I/D/2); em física de partículas elementares, a passagem dos léptons (I/D) aos bárions (I/D/2).

    [7] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções de antropo-logia. Rio de Janeiro, UAB, 1997, (xerografado).

    [8] LACAN, Jacques. Encore, texto estabelecido. Paris, Seuil, 1975.

    [9] SAMPAIO, L. S. C. de. Lacan e as lógicas, cujo original em francês foi solicitado em 1992 por Cahiers de lectures freudiennes e até hoje não publicado.

    [10] A lógica dialética I/D, pelo fato de ter como verdade apenas a totalidade, é dita lógica do segundo excluído; D/2, a lógica clássica, sabemos todos, tem como valores de verdade o verdadeiro e o falso, sendo por isso lógica do terceiro excluído; fica fácil então advinhar que I/D/2 é a lógica do quarto excluído

    [11] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções Elementares de Lógica - Tomo I. Rio de Janeiro, Ed. Inst. Cultura-Nova, 1988 (xerografado) 

    [12] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções de antropo-logia. Rio de Janeiro, UAB, 1997, (xerografado).

    [13] MORSE, Richard M. O espelho de Próspero - Cultura e idéias nas Américas. São Paulo, Companhia das Letras, 1988.

    [14] O fascismo é ainda uma reação ideo-lógica à Modernidade, propondo a substituição do sujeito paradigmático I, agora, pelo sujeito romântico, inconsciente cultural ou Volksgeist D; como se vê, em perfeita simetria com as ideo-logias de esquerda que fazem a substituição de I por I/D.

    [15] SAMPAIO, L. S. C. de . Noções de onto-teo-logia. Tomos I e II. Rio de Janeiro, Inst. Cultura Nova, 1990, (xerografado).

    [16] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções de antropo-logia. Rio de Janeiro, UAB, 1997, (xerografado).

    [17] PLATÃO. Le Sophiste. Paris, Les Belles Lettres, 1994, 254-256

    [18] Ibid. 259 b,c.



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