[1] Os símbolos I e D representam, respectivamente,
a lógica transcendental ou da identidade e a lógica da diferença.
A barra inclinada (/) tem o sentido de uma síntese dialética
generalizada. Assim, o símbolo I/D representa a lógica síntese
das lógicas da identidade e da diferença, comumente denominada
lógica dialética; I/D/2, que é uma forma
abreviada de I/D/D, representa a lógica síntese das lógicas
da identidade, da diferença, da dialética e da dupla diferença.
E assim, por diante.
[2] O princípio do terceiro excluído aqui considerado
é a conjunção dos princípios clássicos
da não contradição e do terceiro excluído,
aliás, preservando o espírito aristotélico. Só
assim se exclui deveras o terceiro, seja o paradoxal (verdadeiro e falso),
seja o indeterminado (nem verdadeiro nem falso). Para maiores explicações,
ver SAMPAIO, L. S. C. de. Noções Elementares de Lógica
- Tomo I. Rio de Janeiro, Ed. Inst. Cultura-Nova, 1988.
[3] A articulação sintética de D com
I/D, deve ser formalmente representada por (D)/(I/D)=D/I/D=D/D=D/2,
no pressuposto intuitivo de que uma identidade (I) entre duas diferenças
(D) se anula. Em contraste, se tivéssemos a composição
sintética (I/D)/(D) o resultado não seria D/2,
mas, sim, I/D/D=I/D/2. Em suma, do ponto de vista formal as
lógicas constituem um semimonóide (onde a identidade só
age, como tal, à direita) gerado pelas lógicas fundamentais
I e D. Para maiores detalhes, ver L. S. COELHO DE SAMPAIO, A matematicidade
da matemática surpreendida em sua própria casa, nua,
na passagem dos semigrupos aos monóides, Rio de Janeiro, 1995
(xerografado).
[4] Uma operação X
se diz comutativa se para quaisquer elementos A e B se tem sempre AXB
= BXA, como é o caso da soma aritmética
elementar. A operação / é não comutativa porque
I/D # D/I. Isto é bem intuitivo, pois, I operando sobre a diferença
força alguma coisa, a sua re-união, enquanto que D
operando sobre o idêntico é coisa que vai de si.
[5] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções elementares
de lógica, I e II, Rio de Janeiro, 1988, Inst. Cultura Nova,
(xerografado) e Noções de antropo-logia, Rio de Janeiro,
UAB, 1997, (xerografado).
[6] A passagem de I/D a I/D/2 corresponde, em economia
política, a passagem do feudalismo (I/D) à modernidade (D/2
em trânsito para I/D/2); em psicanálise, a passagem
da fase fálica (I/D) à resolução da problemática
edipiana (I/D/2); em física de partículas elementares,
a passagem dos léptons (I/D) aos bárions (I/D/2).
[7] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções de antropo-logia.
Rio de Janeiro, UAB, 1997, (xerografado).
[8] LACAN, Jacques. Encore, texto estabelecido. Paris,
Seuil, 1975.
[9] SAMPAIO, L. S. C. de. Lacan e as lógicas,
cujo original em francês foi solicitado em 1992 por Cahiers de
lectures freudiennes e até hoje não publicado.
[10] A lógica dialética I/D, pelo fato de ter
como verdade apenas a totalidade, é dita lógica do segundo
excluído; D/2, a lógica clássica, sabemos
todos, tem como valores de verdade o verdadeiro e o falso, sendo por isso
lógica do terceiro excluído; fica fácil então
advinhar que I/D/2 é a lógica do quarto excluído.
[11] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções Elementares
de Lógica - Tomo I. Rio de Janeiro, Ed. Inst. Cultura-Nova,
1988 (xerografado)
[12] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções de antropo-logia.
Rio de Janeiro, UAB, 1997, (xerografado).
[13] MORSE, Richard M. O espelho de Próspero - Cultura
e idéias nas Américas. São Paulo, Companhia das
Letras, 1988.
[14] O fascismo é ainda uma reação ideo-lógica
à Modernidade, propondo a substituição do sujeito
paradigmático I, agora, pelo sujeito romântico, inconsciente
cultural ou Volksgeist D; como se vê, em perfeita simetria
com as ideo-logias de esquerda que fazem a substituição de
I por I/D.
[15] SAMPAIO, L. S. C. de . Noções de onto-teo-logia.
Tomos I e II. Rio de Janeiro, Inst. Cultura Nova, 1990, (xerografado).
[16] SAMPAIO, L. S. C. de. Noções de antropo-logia.
Rio de Janeiro, UAB, 1997, (xerografado).
[17] PLATÃO. Le Sophiste. Paris, Les Belles Lettres,
1994, 254-256
[18] Ibid. 259 b,c.