CANTO DA SOLIDÃO

Bernardo Guimarães
 
ee-036001.00[1](15/02/2000)



Prefácio da 2ª edição
Prefácio da 1ª edição
Poesia 1 - Prelúdio
Poesia 2 - Amor ideal
Poesia 3 - Hino à aurora
Poesia 4 - Invocação
Poesia 5 - Primeiro sonho de amor
Poesia 6 - À uma estrela
Poesia 7 - O Ermo
Poesia 8 - O Devanear de um cético
Poesia 9 - Desalento
Poesia 10 - No meu aniversário
Poesia 11 - Visita à sepultura de meu irmão
Poesia 12 - À sepultura de um escravo
Poesia 13 - O destino do vate
Poesia 14 - Esperança
 
 
 
 

Prefácio da 2ª edição de Cantos da Solidão

Advertência da segunda edição

Grande número das poesias que agora ofereço ao público já foram publicadas em S. Paulo em 1852 sob o título de Cantos da Solidão: essa edição porém, além de muito escassa quanto ao número de exemplares, foi por demais incorreta; e como o público parece-me ter dado algum apreço a essas produções de minha primeira mocidade, isso me anima a dar-lhe esta segunda edição muito mais correta, e seguida de grande número de poesias diversas.

Cumpre-me aqui dizer algumas palavras a respeito de algumas alterações e adições que fiz nos Cantos da solidão.

Quando, ao terminar meus estudos acadêmicos, me dispunha a retirar-me de S. Paulo, grande número de amigos e colegas mostraram desejos de possuir impressas aquelas poesias; existiam elas pela maior parte em seu primeiro esboço tais quais me tinham saído da pena no primeiro jacto, e os manuscritos se achavam em deplorável desordem; o tempo de que dispunha era muito limitado para eu poder coligi-las, e limá-las convenientemente; com a tal ou qual ordem e correção que a pressa me permitiu dar-lhes, deixei-as em S. Paulo em poder daqueles amigos, a fim de dá-las ao prelo; deixei-as mais como um fraco penhor de amizade e gratidão, como um eco de meu coração, que eu queria deixar ressoando entre aqueles bons amigos, de
muitos dos quais eu me ia separar talvez para sempre, do que como um título com que me apresentasse ao público para conquistar o glorioso nome de poeta.

A vista disso deve-se relevar o muito que há de desleixo e e incorreção nessas composições; desleixo e incorreção que procurei eliminar o mais que me foi possível na presente edição; muitas alterações e adições fiz em algumas poesias; e mesmo uma ou outra refundi completamente; outras porém ficaram assim mesmo mal acabadas, com o pensamento incompleto, a frase mal polida, porque não foi mais possível evocar de novo inspirações há tanto tempo adormecidas. Alterei também um tanto a ordem em que vinham na primeira edição, a fim de engrupar debaixo do título de - Inspirações da tarde - certo número de poesias em que o quadro nelas debuxado se emoldura nos encantadores relevos dessa hora de remanso que serve de transição da luz e bulício do dia para o silencio e trevas da noite.

Vão portanto estes versos nesta segunda edição corretos de muitos descuidos de metrificação e de estilo, e limpos de inúmeros e graves erros tipográficos que desfiguravam a primeira.

Quanto ao valor literário que porventura possam ter estes versos, o público e a critica o decidirão; lembrem-se somente aqueles que lançarem os olhos sobre estas páginas, que são elas produto de uma musa que tem constantemente sofrido o embate de todo o gênero de contrariedades, e que conhece por experiência quanto é verdadeiro o que diz Chateaubriand:
- C'est un sophisme digne de la dureté de notre siècle, d'avoir avancé que les bons ouvrages se font dans le malheyr: il n'est pas vrai qu'on puisse bien écrire quand on souffre. Les hommes qui se consacrent au culte des muses se laissent plus vite submerger à la douleur que les esprits vulgaires.

Rio de Janeiro, 14 de abril de 1858

O AUTOR
 
 


Prefácio dos editores da 1ª edição de Cantos da Solidão

AO LEITOR

Temos o prazer de oferecer ao público, e particularmente à mocidade acadêmica, as produções poéticas de um de nossos irmãos de letras, que ao separar-se de nós legou-nos esses cantos melodiosos, como se fosse um adeus de despedida, e uma última lembrança de seu viver de outrora; - é o testamento do coração ao terminar-se a vida descuidosa de mancebo; - é o derradeiro olhar do viajante ao deixar as praias deleitosas de um país encantado, para expor-se aos azares de uma longa peregrinação por mares tempestuosos; - é a baliza que servirá de assinalar-lhe essa quadra risonha da existência, que, ainda
depois de volvida, inspira-nos recordações tão deliciosas, como os aromas da pátria que auras propícias levassem aos ermos do exilado.

Para nós os - Cantos da solidão - significam alguma cousa mais: - a naturalidade com que são escritos e esse perfume de tristeza e sentimentalismo que eles exalam bem provam não serem essas poesias uma criação puramente artística; - elas são a linguagem harmoniosa de uma alma poética e inspirada, que se expande



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